COMO É O PASSEIO BOCA DA ONÇA EM BONITO, MATO GROSSO DO SUL

Trilha Boca da Onça. Este é o passeio em Bonito que vai lhe presentear com a maior cachoeira do Mato Grosso do Sul. Em frente a ela, o momento é de contemplação. Passados os minutos dos olhares de êxtase sobre a cachoeira, já está mais do que na hora de entrar na piscininha natural, aos pés dela. Nesse instante, você vai entender por que dizem que tudo que é mais difícil é mais gostoso. Afinal, a Cachoeira Boca da Onça requer um certo esforço para ser encontrada. É preciso fazer caminhada dentro da mata e vencer escadas. Nosso guia fez o percurso que começava com essa cachoeira, a principal. Para chegarmos até ela, tivemos de descer 886 degraus. Se você estiver fazendo o percurso inverso, terá de subir esses mesmos degraus. Ainda é mais puxado. Mas, não importa o sentido do tour (horário ou anti-horário), até o final dele são encarados mais de dois mil degraus. Ora você irá descer escadas, ora você irá subir. E muitas. Por isso, disposição é palavra de ordem nesse passeio. 

Você pode estar se perguntando por que há dois sentidos de percurso na trilha. Não se preocupe, você irá ver todas as atrações às quais tem direito, mas os grupos ingressam no tour em horários diferentes (com intervalos de cerca de 20 a 30 minutos em dias cheios) e cada um segue uma direção, começando ou terminando com a Cachoeira Boca da Onça. Isso acontece para evitar que dois grupos ou mais se encontrem no mesmo lugar e no mesmo horário, congestionando o ambiente e diminuindo o tempo de aproveitamento de cada visitante. Por isso, as propriedades (do tour da Boca da Onça, do Rio do Peixe etc.) contratam diferentes guias e têm tudo organizado para que a logística funcione bem. Os grupos têm limite de visitantes, o que colabora muito para a segurança de todos. O nosso, da Boca da Onça, tinha doze.

A Boca da Onça é um passeio que toma quase o dia inteiro, sendo necessário reservar um dia só para ele. O almoço está incluído, por isso é um dos tours mais caros em Bonito. O nosso começou às 9:00 no local. Os grupos chegam com alguns minutos de antecedência para pegarem seus crachás e preencherem uma ficha na recepção. Depois são convidados a fazer uma boquinha antes do passeio por conta da casa, afinal é preciso se abastecer de energia para as próximas horas de trilha. É algo simples que servem, como café e chipas (pães de queijo), mas já é um bom agrado e digo isso porque as chipas estavam fresquinhas, quentinhas e deliciosas. Durante esse tempinho no receptivo da propriedade, é bom ir aos banheiros porque durante a trilha só há uma base de apoio (com banheiros e quiosque que vende biscoitos, água etc.) mais ou menos na metade do percurso. 

Quando seu grupo é chamado, você entra numa caminhonete e senta na caçamba. No caminho, você vai observando o gado. É um pequeno trecho percorrido, mas já lhe poupa de uma caminhada. Aí depois é só botar as pernas para se exercitarem no meio da mata e parar nos principais pontos de contemplação, que são as cachoeiras. Em algumas delas não podemos entrar para tomar banho, servem somente como pano de fundo para fotos, pois não são muito seguras para esse fim, como é o caso da Cachoeira da Anta. Para banho, são somente quatro paradas, mas há muitas cascatas para serem admiradas. Todo percurso da trilha é acompanhado por um guia credenciado. É necessário, pois além dele ficar de olho em você enquanto você está nadando (há lugares fundos, onde não dá pé), ele lidera as caminhadas, já que a fazenda é muito grande.

Depois de toda essa descrição, bateu a curiosidade de saber como são as paisagens da trilha ecológica Boca da Onça? Pois eu estou aqui é para mostrá-las e, ainda melhor, detalhando como foi o tour inteirinho em ordem cronológica. Vamos lá!


Esta é a área de lazer da Fazenda Boca da Onça. Enquanto você espera o seu grupo ser chamado, você pode ficar descansando nessas cadeiras ou dentro desta piscina, que é bem convidativa, mas com o frio que estava fazendo neste dia, ninguém se animou. De qualquer maneira, este é um espaço para se relaxar preferencialmente depois da trilha.


Ao fundo, a casa é a sede da fazenda, onde estão a recepção, os banheiros e o restaurante.

A piscina principal é bem bonita, tem até uma cascatinha.


E, pelos jardins, as seriemas distraem os visitantes.


Hora de entrar na caminhonete e percorrer o primeiro trecho de terra, só que de maneira confortável, pois estamos dentro de um veículo. Apesar de irmos sentados na caçamba aberta, a "viagem" é confortável e faz parte da aventura.




Depois, é hora de saltar da caminhonete e deixar para trás o conforto. Agora tudo é feito a pé, e descendo muitos degraus de escadas até chegar à primeira atração deste roteiro, que é a Cachoeira Boca da Onça. Não tem outro jeito. Ou melhor, tem sim: despencando-se desta plataforma, de uma altura que só de lançar o olhar já dá vertigem. Se você se jogar daqui, aí sim, vai conseguir encurtar o caminho e se livrar de algumas escadas. Não estou brincando, esta opção existe!


A vista do Rio Salobra a partir da plataforma onde estou na foto acima. O lugar é bem alto. Você se arriscaria?

Mas, calma, não estou incentivando nenhuma tentativa suicida, eu só não tinha falado ainda de qual forma você poderia se "despencar" daqui :-) É que este passeio tem também o rapel de plataforma mais alto do Brasil, com uma descida de 90 metros de altura. A aventura na Plataforma de Rapel da Boca da Onça tem custo extra, sendo assim, o valor total do passeio aumenta para quem quer se jogar nessa. 

Enquanto alguns poucos corajosos desciam pelo ar, o restante do grupo descia pelas escadas no meio da mata nativa. São 886 degraus até a Cachoeira Boca da Onça. Fazendo o tour no sentido inverso, você terá de subir estes degraus.

Eu aqui fazendo a trilha toda agasalhada. Era manhã e inverno, fazia muito frio. 


E fomos chegando cada vez mais perto da principal cachoeira da fazenda, a Boca da Onça (ao fundo).

E, finalmente, ficamos de frente para a Cachoeira Boca da OnçaEsta é uma cachoeira bem alta, por isso a principal do percurso. Na verdade, é a maior do Mato Grosso do Sul e uma das mais altas do Brasil. Tem 156 metros. 

As águas da Cachoeira Boca da Onça caem nesta piscina aqui, na qual, num dia menos frio, os visitantes se jogam. Mas neste dia ninguém quis, pois fazia muito frio.


Lembre-se, para chegarmos aqui, descemos 886 degraus! Até o final do percurso são mais de dois mil. É uma boa trilha. São 4 km de passeio.


Quem é que não gostaria de entrar nesta piscina natural? 

Depois de cerca de meia hora em frente à Cachoeira Boca da Onça, andamos por mais 300 metros dentro da mata para chegarmos à nossa segunda parada para banho, que foi na Praia Boca da Onça, esta abaixo:

Bem, praia mesmo não é, né? É o Rio Salobra com muitas pedras. A água daqui não estava tão gelada quanto à da Cachoeira Boca da Onça e o ar também já não estava mais tão frio. Então, hora de cair nesta piscininha (bem rasinha mesmo deste lado). Se não tomar cuidado, irá cair literalmente! É que as pedras submersas são bem escorregadias e muitas machucam os pés.   


Porém, com muito cuidado para não machucar meus pés e cair, consegui entrar na água. Mas não fui muito longe porque as pedras estavam realmente incomodando. Chegando mais para trás, é possível ver a Cachoeira Boca da Onça no lado direito. Senti muito a falta de calçados apropriados, como as papetes. Leve as suas, se tiver, pois este passeio não oferece. 


Para chegar àquele tronco de árvore ao fundo, que estava tão pertinho, foi preciso muita cautela para eu não machucar meus pés. Por isso, achei essa parada para banho meio sem graça. Valeu mais pelo visual.




Depois do banho na Praia Boca da Onça, fomos caminhando até a nossa única base do percurso, onde havia um quiosque (cantina) e banheiros. Na foto, nosso guia liderando o grupo.

Depois de uma pequena pausa na base de apoio, fizemos a terceira parada para banho aqui, no Poço da Lontra, outra piscina natural. Linda com essas cascatas ao fundo! Aqui, sim, o banho deve valer muito a pena! Digo, "deve" porque não aguentei a água gelada. Só de colocar minhas pernas dentro d'água, já sentia o choque térmico. Era preciso coragem! No verão, a temperatura da água costuma subir um pouco, conforme nos informou um guia. 

Foi uma pena não termos entrado. Acho que eu teria curtido muito, mesmo com colete salva-vidas (eles oferecem), pois aqui a água não dá pé. Mas é tranquilo para quem sabe nadar. Poucas pessoas entraram na água por causa da baixa temperatura. 


Depois do banho, mais uma queda d'água para contemplar, a Cachoeira do Fantasma.

Cachoeira do Fantasma

E, aqui, a quarta parada para banho, a melhor de todas! É o Buraco do Macaco. Deste lado é raso, mas atravessando a caverna, nadando por debaixo desta rocha, são quatro metros de profundidade. Por isso, no local, há coletes salva-vidas. Cuidado com as pedras submersas nesta parte rasa, pois podem machucar e fazer escorregar. 


Mas para quê atravessar o túnel da caverna? Porque, do outro lado, você vai encontrar uma piscina natural com cachoeira. Ou seja, uma cachoeira dentro de uma gruta! Eu não fui, realmente água gelada me espanta... 


Depois, as paradas nas quedas d'água foram somente para fotos. Todas muito bonitas. Esta é a Cascata do Jabuti


As águas da Cascata do Jabuti descendo em camadas. Uma das mais belas cascatas do passeio.





Depois foi a vez da Cachoeira da Anta.







E as Piscinas da Cotia.





Já estávamos perto da hora de voltarmos à sede do receptivo e o guia nos fez uma surpresa. Disse que teríamos mais um pouco de escadas para subir, mas foi somente brincadeira. Adiante já estava uma van nos esperando. Nosso passeio terminou com o almoço. Foram cerca de cinco horas na trilha, portanto já eram quase três horas da tarde quando fomos almoçar. Se quiser, depois do almoço, você pode continuar na fazenda usufruindo da estrutura, relaxando nas piscinas ou no redário, por exemplo. 


No almoço, não havia muitas variedades de comida, mas ela estava bem saborosa. Aquele gostinho de comida caseira. Até repeti. O buffet é self-service. Pode repetir quantas vezes quiser. Neste dia, havia frango assado, costela com aipim cozido, feijão preto, feijão mulato, escondidinho de purê de batata com carne moída, macarrão e sopa paraguaia. Para sobremesa, quatro opções: doce de banana, doce de moranga, doce de mamão e doce de abacaxi. 

A trilha da Boca da Onça é um dos principais passeios a se fazer nos arredores de Bonito. A fazenda fica na Serra de Bodoquena, a cerca de 55 km de Bonito. Não se esqueça de que é uma atividade que exige um nível médio de condição física. O mais puxado é subir e descer um monte de escadas. Por isso, é muito importante que cada um conheça seus limites e entenda que este passeio pode lhe ser muito mais sacrifício do que diversão. É desaconselhável, por exemplo, para quem tem problemas cardíacos, de joelhos e de hipertensão. Para quem não tem problemas, o passeio é tranquilo, apesar de cansativo. Reserve-o com antecedência assim como os outros mais concorridos.

Leve sua roupa de banho por debaixo da sua "normal" e vá calçado de tênis, que é de uso obrigatório neste passeio. Se houver sol, leve boné e passe protetor solar. Repelente é sempre bom passar em qualquer época do ano, apesar de no inverno haver bem menos mosquitos. Também é uma boa ter uma toalha para depois dos banhos, uma muda de roupa para o final do passeio, papetes para andar sobre as pedras debaixo d'água, e uma garrafa d'água para beber.

Fizemos este passeio através da agência Natureza Tour pela praticidade de ficar dentro da pousada onde nos hospedamos, a Arte da Natureza. Deu tudo certo. Mas muitas outras agências de Bonito também são credenciadas com a Fazenda Boca da Onça e podem reservar o passeio, inclusive a própria fazenda. Veja aqui o site oficial da Boca da Onça. O preço é tabelado.

O Brasil tem paisagens incríveis, você não acha?

Veja também:

- Trilha e Cachoeiras da Estância Mimosa: Um Top Tour em Bonito

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