Veja este vídeo mostrando um pouco de Zurique no embalo de música e descontração num dia (domingo) ensolarado (mas frio) de verão (2012).
Zurique
(ou Zürich, em alemão), apesar de ser
a maior cidade da Suíça, pode ser apreciada em apenas um dia pelo turista que não
dispõe de mais tempo. Até porque uma visita prolongada a essa cidade, que é
considerada uma das mais caras do mundo (e também com a melhor qualidade de
vida), pode sair bem cara. A hospedagem, principalmente. Ainda bem que dá para fazer muita coisa a pé ou de
bonde, pois, se você fosse depender dos táxis, seus francos suíços iriam
voar da carteira já que as corridas são caras, porém com todo conforto de carros de marcas como BMW, Audi e Mercedes-Benz. Sim, até os táxis são luxuosos e mostram o alto poder aquisitivo dessa
cidade que concentra os grandes bancos suíços e que é o centro financeiro do
país.
É
claro que não pode haver grandes pretensões em somente um dia (ou, no meu caso,
um dia e meio) de passeios em Zurique. Porque, apesar de pequena, a cidade tem
muito a oferecer e para ser desfrutado com calma, de maneira relaxada:
descansando sobre a grama do parque de Zürichhorn, caminhando pelo bairro de Bellevue, flanando pelo Rio Limmat ou explorando as pequenas ruas de pedestres, só para citar alguns exemplos.
Mas, com pouco tempo em mãos, é preciso aproveitá-lo ao máximo e contar com a
ajuda do bonde elétrico para chegar a lugares um pouco mais distantes. É
preciso deixar de lado algumas visitas internas, como a museus e galerias de
arte. Eu, por exemplo, já cheguei à cidade decidida a não entrar
em nenhum museu para
ter mais tempo apreciando as paisagens da cidade. Era a prioridade
de meu roteiro. Mas três dias em Zurique já seriam o suficiente para o turista
poder entrar nos museus e curtir a cidade sem muito corre-corre, o que é bem
melhor.
Zurique
revelou algumas surpresas para mim. A começar quando coloquei meus pés fora do
trem, na estação Hauptbahnhof. Eu tinha embarcado em Milão (a viagem de trem até Zurique,
em linha direta, não chega a 4 horas de duração) sentindo o calor típico do verão
italiano, por isso eu trajava um vestido tomara-que-caia. Mas foi só eu sair do trem em Zurique para perceber a mudança de temperatura e
decidir trocar de roupa assim que eu chegasse ao hotel. Então, aqui vai uma
dica: leve um casaco e um par de calças compridas para Zurique mesmo que seja
verão. Mesmo com sol, há vento frio. Não creio que todos os dias de verão na
Suíça sejam assim. É claro que há dias quentes também, mas, como a
primeira impressão é a que fica, eu saí de Zurique achando que a Suíça é mesmo um
país muito frio (é claro que nas outras estações do ano eu não teria dúvida disso,
mas o verão para mim ainda era uma incógnita), no bom sentido da palavra.
A
segunda surpresa revelada por Zurique foi em relação a seus habitantes. Eu
sabia que havia muitos imigrantes lá, que a cidade é cosmopolita (30% dos
habitantes são estrangeiros), mas não imaginava que fosse tão fácil esbarrar
com brasileiros e portugueses em tão poucas horas em território suíço. Deparei-me
com duas brasileiras poucos minutos depois de eu ter desembarcado na cidade,
quando eu ainda carregava malas na rua, a caminho do hotel. É verdade que o
Hotel du Théàtre é bem perto da estação de trem, mas nos confundimos na
tentativa de chegarmos lá. Por isso, em um dado momento parei, olhei para os
lados e, vendo todas aquelas placas em alemão, com nomes que eu nem sabia pronunciar, pensei a quem eu iria pedir uma informação. Nesse momento de
silêncio, ouço uma língua muito familiar perto de mim. Pois fui parar
justamente ao lado de duas jovens brasileiras que estavam conversando na rua. Dirigi-me
a elas e, muito simpáticas, nos ajudaram a encontrar a rua do hotel.
Depois
que conseguimos deixar as malas descansando no hotel, fomos em direção à Rua Bahnhofstrasse, a mais famosa e cara de Zurique, não somente para olharmos as vitrines, como
também para chegarmos ao restaurante Zeughauskeller, que era onde eu já havia planejado almoçar
(foi a indicação que encontrei em guias de viagem, entre os quais, a Revista Viaje Mais). Mas, em que direção ficava a
Rua Bahnhofstrasse? Não queria perder tempo e acabar indo para o lado oposto (Mas é muito fácil achá-la! Fica em frente à estação de trem Hauptbahnhof, mas eu ainda não sabia disso.). Então,
conversando com meu marido, disse que iria pedir (em inglês) a informação a
alguém que passasse na rua. Na hora passava um casal e foi para eles mesmos que
eu fiz a pergunta, cuja resposta do homem, em tom de brincadeira e com sotaque
de português de Portugal, foi: “Podem falar com a gente em português mesmo que
entendemos.” E a gente começou a rir.
Enfim,
chegamos ao restaurante Zeughauskeller. Conversamos em inglês com o garçom que nos atendeu
e fizemos o nosso pedido. Um tempinho depois, percebi que duas garçonetes
conversavam em português (de Portugal). E mais uma vez me surpreendi por estar
ouvindo minha língua sendo falada em território suíço em minha tão breve
visita. Chamei o nosso garçom, aquele com o qual nos comunicamos em inglês, e
comentei com ele (ainda em inglês) que, assim como suas colegas, eu também era
de Portugal (para quem ainda não sabe, eu nasci em Portugal, apesar de ter sempre morado no Brasil). E ele me respondeu (ainda em inglês) que também era
de lá. Mais uma vez comecei a rir da coincidência e principalmente do fato de
estarmos conversando em inglês com um garçom que falava a nossa língua!
E aquele restaurante não foi o último lugar onde eu ouvi pessoas falando
português. Ouvi depois, passeando pela cidade, brasileiros conversando. Só não
tive como sacar se estavam em Zurique a turismo ou se residiam lá. Enfim, não é
difícil chegar à conclusão que a Suíça recebe muitos imigrantes, entre os
quais, muitos portugueses. E um dos motivos principais para esse acontecimento
na atualidade é a crise econômica em que se encontra o restante da Europa. Os
portugueses, como são vizinhos dos suíços, têm cada vez mais migrado para o
território estrangeiro à procura de melhores empregos. Eu mesma tenho três
primos portugueses que já moram na Suíça, em Genebra, por causa das melhores oportunidades. É, Portugal não está mesmo numa boa situação econômica e digo isso
porque a maior parte de minha família vive lá e todos os meus parentes reclamam
do atual cenário. Aliás, em Portugal, é muito fácil ouvir as mesmas queixas de
qualquer trabalhador com quem você conversa, inclusive brasileiros residentes.
Mas,
de volta a Zurique, preciso falar de mais duas surpresas que tive ao conhecê-la:
suas lindas paisagens e seu alto astral. Sim, esses dois quesitos ficaram acima
da minha expectativa. Como cheguei à cidade num domingo de sol, suas áreas de
lazer estavam repletas de pessoas, principalmente jovens, curtindo suas horas
livres conversando com amigos ou familiares, sentados em bancos ou caminhando relaxados na
aprazível área chamada Bellevue, gente saindo e chegando de passeios de barco, músicos tocando... Zürichhorn, uma grande área verde à beira do lago, também me surpreendeu com sua energia vibrante e ao mesmo tempo zen, sem contar seu cenário bucólico, perfeito para a tela de um pintor.
Nas
legendas acima, já descrevi como foi meu roteiro de um dia e meio em Zurique.
Foi bem cansativo e corrido, confesso; porém, prazeroso. Só fiquei um pouco
frustrada por não ter conhecido a noite do West (Zürich-West é uma ex-zona
industrial onde as indústrias antigas estão sendo ocupadas por restaurantes e
lojas descoladas) por ser um domingo, quando não vale muito a pena, pois a região
está meio deserta, segundo a recepcionista de nosso hotel. O West é um bairro super recomendado em guias de turismo por ser
a região moderninha da cidade, onde já estão instalados inclusive shopping
centers. Lá a região de Turbinenplatz é um bom point. Tirando Zürich-West, consegui fazer tudo que estava previsto em meu roteiro e
as atrações que eu vi são exatamente as que eu indico para quem também vai
passar pouco tempo na cidade. Então, abaixo vai um resumo dos lugares imperdíveis que eu recomendo em
um dia e meio em Zurique. Observe que eu não incluí nenhum museu, mas, se você conseguir começar o seu primeiro dia mais cedo do
que eu (o meu começou no início da tarde), terá o tempo que eu não tive para visitar um.
Imperdíveis:
- Rua Bahnhofstrasse
- Bürkliplatz
- Igreja Grossmünster
- Igreja Fraumünster
- Igreja St. Peter
- Bellevueplatz
- Zürichhorn
- Confiserie Sprüngli
- Lindenhof
- Zürich-West
- As ruelas, algumas com muitos bares e restaurantes, perto da Estação Central
Outras atrações:
- Zoológico
- Sede da FIFA
- Jardim Chinês
Indispensável:
- Caminhar pelas ruas do centro histórico
- Andar de bonde (não tão indispensável assim, mas bem interessante)
Tendo tempo, não deixe de:
- Fazer um passeio de barco, nem que seja para chegar a um ponto turístico. Há diversas paradas.
Dicas:
- Se você não fala alemão, mas fala inglês e tiver dúvida a quem pedir uma informação em inglês, dirija-se aos mais jovens. A maioria dos jovens fala inglês.
- Gosta de pedalar? Então, que tal conhecer a cidade de bicicleta e de graça? A prefeitura oferece bicicletas gratuitas, mas é preciso deixar um depósito de segurança de CHF 10, que são devolvidos com a entrega da bicicleta, que pode ser usada o dia inteiro. Há um ponto de aluguel na Estação Central.
- Se for ficar mais dias em Zurique e pretende visitar museus, veja se não é mais vantajoso para você comprar o Zürich Card, que é um bilhete para
três dias e oferece descontos em lojas, restaurantes e transporte público
(ônibus, trem, barcos e teleféricos), além de entrada em 39 museus. À venda no
aeroporto (no serviço de informação ao turista) e na estação central de trem de
Zurique.
Se for a Zurique de trem (foi o nosso caso), não durma quando estiver faltando uns 40 minutos para a chegada. A paisagem da natureza e das cidadezinhas próximas que vemos das janelas (que infelizmente estavam embaçadas e sujas, o que não possibilitou nem ao menos uma única foto boa) é lindíssima!
O que comprar de souvenirs:
- Chocolates (A marca Lindt é uma das mais famosas e pode ser encontrada em várias lojas e supermercados. Os chocolates da confeitaria Sprüngli também fazem muito sucesso. Comprei chocolates no aeroporto, no supermercado Migros, na volta. Assim, pude me livrar de todas as moedas do país, pois no câmbio, eles nunca trocam moedas. Sem a menor vergonha, despejei no caixa todas as moedas e a moça ainda me ajudou na contagem. Há tabletes de chocolates suíços a partir de CHF 2.)
- Canivetes de marca
- Vaquinhas de porcelana (Elas são as responsáveis pelo leite que fazem os deliciosos chocolates e queijos suíços. Veja aqui a vaquinha que eu comprei para a minha coleção de souvenirs de viagens.)
- Relógios de marca, como a mundialmente conhecida Rolex (se o seu orçamento permitir...)
Fique por dentro:
- Zurique
é um dos principais centros financeiros do mundo.
- Zurique
faz fronteira com a Alemanha (ou seja, a cidade fica na parte alemã da Suíça); portanto, lá
se fala mais o alemão, sendo que muitos jovens também falam inglês. Na Suíça, fala-se alemão, francês e
inglês.
- Zurique
não é a capital da Suíça, como se enganam alguns. A capital é Berna. Pode-se chegar a Berna de trem, a partir de Zurique, em 1
hora e em linha direta.
Hospedagem:
Os hotéis em Zurique são caros, mesmo os de categoria turística. Como relatei acima, ficamos no Hotel du Théàtre por causa dos bons comentários no Tripadvisor,
da localização (perto da estação de trem, pois não queria depender de condução e muito menos pagar táxi), do custo-benefício e das respostas rápidas e atenciosas que obtive do hotel em meu e-mail. Oferecem quartos limpos, aconchegantes e recepcionistas atenciosos. Pagamos pela diária de nosso quarto a tarifa de CHF 195. O café da manhã não
está incluso na diária (paga-se CHF 20 por pessoa pelo café da manhã tipo buffet
ou CHF 10,50 por pessoa pelo café continental). City tax: CHF 2.50 por pessoa e
por noite. (Valores de julho de 2012.)
Vou citar aqui outro hotel que, apesar de eu não poder falar de sua hospedagem por não ter ficado lá, pareceu-me outra opção muito boa levando-se em consideração a sua localização (também perto da estação de trem), suas acomodações (veja só as fotos na internet) e tarifas. Além disso, foi uma das indicações da Revista Viagem Mais (edição de agosto de 2010). O hotel é este aqui: Sorell Hotel Rütli.
Os bondes:
É muito fácil percorrer a cidade usando os bondes, mas você não pode se esquecer de validar seu bilhete antes de embarcar nas máquinas que ficam nos pontos, pois corre o risco de um fiscal entrar e lhe aplicar uma multa (e não há exceções, mesmo você explicando que é turista e que não tinha a menor ideia dessa regra). Nós compramos nossos bilhetes (preferimos o ticket diário para que pudéssemos fazer quantas viagens quiséssemos no período de 24 horas) na recepção de nosso hotel e pagamos CHF 8.20 (zona 10). Agora muita atenção a este detalhe: os bondes podem ter um mesmo número, mas linhas diferentes e, portanto, destinos diferentes. No dia da volta, preferimos ir ao aeroporto de bonde (percurso de uns 15 minutos) porque a viagem seria pitoresca (recomendação do recepcionista do hotel). Então, apesar de não haver erro em pegar o trem na estação central, que era pertinho do hotel, preferimos o bonde. O recepcionista nos explicou direitinho como fazer: disse para pegar o bonde de número 10 e falou "qualquer coisa" da linha para a qual eu não dei atenção, pois foquei só no número. Daí o que aconteceu? Pegamos justamente o bonde 10 da linha errada! Só descobrimos isso depois de uns 10 minutos dentro do trem, tempo este em que não aproveitamos paisagem pitoresca nenhuma, pois nossos olhos não desgrudavam do mapa porque percebíamos que havia alguma coisa errada. Então, virei-me para um passageiro jovem que estava atrás de nosso banco e lhe perguntei em inglês se aquele bonde chegaria ao aeroporto. E ele me respondeu: "No". Não??? Como assim??? Ele me explicou que seria aquele bonde, mas de outra linha. Muito educado e muito solícito (na verdade, ele foi um amor), ele nos aconselhou a saltar numa estação de trem próxima e lá pegar um trem para o aeroporto, o que daria uns 5 minutinhos de viagem. Foi o que fizemos e deu tudo certo. Mas na hora rolou um pequeno stress, comprei o complemento da passagem na estação e conseguimos pegar o próximo trem que estava saindo em cerca de apenas 5 minutos! Ufa!
Outras informações:
- Moeda: Franco suíço
- Alta temporada: entre junho e agosto (verão europeu)
- Duração do percurso do aeroporto de Zurique até a principal estação de trem, a Hauptbahnhof: 10 minutos.
Site de interesse:
Data deste viagem: 22 a 23 de julho de 2012. Portanto, os valores descritos aqui estão de acordo com essa época.